A balzaquiana Carol completa 30 anos
A famosa música de Luciano Bahia completa 30 anos e ele fala com exclusividade sobre sua vida e seus sucessos.
Luciano Costa Bahia de Almeida, ou apenas Luciano Bahia. Quem não lembra desse nome nos anos 80? Muita gente dançou seu maior sucesso “Carol” nas danceterias do Rio de Janeiro e do Brasil. O ano era 1986 e a “Carol” levava multidões às pistas de dança.
As rádios tocavam sem parar “Alô! Carol, estou no Pub te esperando…” Este foi o primeiro remix lançado à venda no Brasil. Hoje, “Carol” se tornou uma balzaquiana arrebatadora de corações. Esse ano completa 30 anos de pura magia, quando toca, não deixa ninguém sentado. Além de “Carol”, Luciano Bahia regravou sucessos como “Marron Glacê, de Ronaldo Resedá e “Não me iluda”, sucesso do Cinema à Dois.
Em 2002 lançou o livro “Loucuras e Canções” para registrar suas canções. Atualmente Luciano Bahia faz em média 15 shows por mês cantando seus sucessos. Em entrevista exclusiva para o jornal O Estado RJ, Luciano Bahia conta um pouco de sua vida e de sua trajetória no cenário da musica brasileira.
OERJ- Como foi o início da sua carreira?
LB – Comecei exatamente em 1980 com 18 anos, participando de festivais e em seguida abrindo shows da “ A Barca do Sol” e “ Jorge Mautner”. Atuei também como tecladista de algumas bandas entre elas : Paulo Diniz, Ruban Barra, Vento Sul. Em 83 gravei meu primeiro disco com o “ Matinê” um compacto, que tinha uma formação bastante interessante: Eu: Teclados, composição e voz, Torcuato Mariano e Sérgio Serra : Guitarras, Fred Maciel: Bateria, Mosquito: Baixo e Humberto Araújo: Sax e Flauta. O mais bacana desse compacto é que hoje em dia todos os integrantes são músicos, ou produtores do primeiro time da nossa MPB. Como esse disco não deu certo parti para minha carreira, e em 86 lancei o primeiro Remix a venda no Brasil. Era uma série Remix – A música viva . De um lado a versão normal e do outro a versão remix. Foi produzido por Mayrton Bahia, o qual não tenho algum parentesco e na série além de mim, tinha nomes como: Mick Jagger, Grace Jones, Tina Turner, David Bowie, Arcadia, e fui o único brasileiro. A canção era “Carol”, que foi um sucesso nacional e acabou me levando para mídia de todo o Brasil.
OERJ – Como era a música feita nos anos 80?
LB – Aqui vou falar no meu caso. Éramos uma turma em que vivia no Posto 9 em Ipanema, e fazíamos música como não houvesse amanhã. Tinha dias que chegávamos a fazer duas canções por dia. Sem a menor preocupação com nada. Amávamos o pessoal de Minas( Beto, Lô, Milton) Pat Metheny, Prefab Sprout,, Genesis, Yes, O Terço, A Barca Do Sol… E era praia pela manhã e a tarde ensaios intermináveis na casa que morava na Tijuca até a noite. Após nos encontrarmos nos Baixos Leblon e Gávea, o som e o sentido afloravam em nossos corações.
OERJ – Que diferença você vê nas músicas feitas hoje e nas que eram feitas na década de 80?
LB – Sinceramente, nenhuma! Música boa existe e sempre irá existir em qualquer década. Amo a cena musical atual como amava a dos anos setenta. Não sou saudosista. Curto o novo sempre! Mas claro, que a canção boa irá sempre ficar na memória, independente da década.
OERJ – Você fez alguns projetos paralelos como regravações de alguns sucessos da passado. Como foram esses trabalhos?
LB – Sim. Nos anos 90, criei com o DJ Romulo Marques o SLIDANCING. Foi um projeto que transformava musicas que não tinham a levada dançante em versões Dance. Foi o maior sucesso . Começou no JazzMania no Rio e viajou o Brasil inteiro por quase dez anos. Claro que sua formação foi mudando com o tempo. A original era: Romulo Marques: DJ com inserções durante o show, Eu: Teclados e Sampler, Armando Souza: Guitarras e Fabiola de Oliveira: Voz. Também regravei Marron Glacê (Renato Corrêa, Guto Graça Mello e Mariozinho Rocha) . Foi uma ideia do produtor Renato Corrêa Jr, que me chamou para cantar essa canção, que havia sido remixada pelos DJs Marlboro e Robson Vidal. Adorei. E já em 2007 tive um Cd meu produzido pelo Fabio Fonseca, que deu a ideia de regravar a sua canção “ Não Me Iluda” um clássico dos anos 80 na voz dele que era o líder do Cinema à Dois. Ficou bacana, até porque ele mesmo foi quem fez o arranjo e gravou os teclados. Amei!
OERJ – O que mudou do seu segundo disco em 86 “Carol” para o “Nossa Cidade” em 2014?
LB – Para quem escuta “Carol”, mudou muito, mas sempre em cada disco meu colocava uma ou duas canções com o meu lado influenciado pela galera de Minas. No caso de “ Nossa Cidade” tudo nasceu da ideia do meu filho, que falou porque eu não gravava um disco só com as minhas canções mais bonitas. Pronto, sentamos eu e ele e escutamos umas 100 músicas até chegarmos a dez. Mas no meio do disco comecei a compor enlouquecidamente e daí a cada nova canção pensava em um parceiro, e dai nasceram: Cariocando (Minha com Tiberio Gaspar), Resplendor (Minha com Carlos Colla), A Estrela do Nosso Amor ( Minha com Juca Filho) e Disse Lavoisier ( Minha com Galvão dos novos Baianos e Peu Tanajura), todas inéditas. Esse disco foi lançado somente pelas plataformas virtuais e teve mais de 36 mil audições.
OERJ – Você está lançando um novo trabalho, fala um pouco sobre ele…
LB – Realmente. Alavancado pelo sucesso do “Nossa Cidade” ter alcançado essa marca que citei acima mais de 35 mil audições, fora os downloads, fui convidado a fazer outro em menos de dois anos. Como nesse tempo havia composto algumas canções, me juntei ao Lito Figueroa, que foi ao lado de Claudio Kote o produtor do “ Nossa Cidade”, e falei: Lito: você aceita fazer um disco em parceria comigo? Ele respondeu: Claro! Pronto Daí nasceu “ Vento Lunar” Luciano Bahia e Lito Figueroa. Até esse momento já gravamos todas as bases, eu assino a concepção musical do disco, Lito os arranjos, programações, teclados, e vocalizes. Rapidamente liguei para meus principais parceiros e mandei uma canção para o Carlos Colla (Vento Lunar), outra para o Tiberio Gaspar, Juca Filho e Revolução , Evolução, minha com Bernardo Vilhena, que entrou para o nosso time agora. Esse disco tem outro diferencial, é completamente focado no Psicodelismo e o norte dele é : O menos é mais!
OERJ- Time
LB –América
OERJ- Religião
LB –DEUS
OERJ- Posição religiosa
LB –Creio somente em JESUS
OERJ- Posição politica
LB –Esquerda
OERJ- Se não fosse músico, o que seria?
LB –Fotógrafo
OERJ- Não pode faltar nas viagens?
LB –Perfume
OERJ- Qual seu livro de cabeceira?
LB –On the Road, Jack Kerouac
OERJ- Que filme mais gosta?
LB –Minha Vida de Cachorro
OERJ- Que música te marcou?
LB –São várias, ao invés de músicas, prefiro discos que mudaram minha vida quando escutei: A Página do Relâmpago Elétrico ( Beto Guedes), Trespass (Gênesis), Steve Mcqueen ( Prefab Sprout).
OERJ- Pra você, o que é o amor?
LB –O amor é cumplicidade , paz, serenidade, alegria e bem querer acima de tudo
OERJ- Uma frase
LB –A alegria não está nas coisas, está em nós.

