Alexandra Vieira de Almeida - Poesia ganhando legitimidade.
Alexandra Vieira de Almeida Poesia ganhando legitimidade
Natural do Rio de Janeiro, a poetisa Alexandra  Vieira de Almeida, desde criança,  já escrevia poesias e participava de concursos literários. Hoje, com cinco livros publicados, ela acredita que a perseverança pode nos levar aonde quisermos, desde que acreditemos em nosso potencial.
“Dormindo no verbo”, seu mais recente livro de poesias, traz uma intenção a mais. Para a poetisa, “é palavra poética que o escritor recria o mundo” e cedeu uma entrevista para o Jornal O Estado do Rio de Janeiro.
OERJ – Como começou sua carreira, trajetória?  e sobre o que espera de nossa literatura?
Eu comecei a escrever desde criança. Participei de um concurso de poesia em uma biblioteca municipal e fui selecionada com um poema sobre o Amazonas. A partir desta infância em meio aos livros e incentivo de mamãe, não parei mais. Eu mais tarde, na adolescência, datilografei meus poemas e fiz um pequeno livro, dobrando as páginas, bem simples. Foi a partir do ano 2000 que minha poesia amadureceu e meus dois primeiros livros de poemas, “40 poemas” e “Painel”, que foram resultados de 11 anos de escrita. Eles foram publicados no mesmo ano. As orelhas dos dois livros foram escritas pelo crítico literário e professor universitário Marcelo Santos, que  captaram a essência de minha poesia. Foi nesta época que reencontrei meu amigo da juventude, também poeta, e com uma bagagem vasta e muitos prêmios literários, Luiz Otávio Oliani, que depois deste reencontro, foi o principal incentivador e propagador de minha poesia. Com ele, conheci vários saraus no Rio de Janeiro e pude ter contato com várias antologias, revistas, jornais, sites e alternativos em vários estados do Brasil e também internacionalmente. Nós trocamos muitas informações sobre muitas publicações de peso. A partir daí, comecei a participar de antologias internacionais, como bilíngues, trilíngues e tenho poemas traduzidos para o inglês, espanhol, holandês e chinês.
Em 2014 publiquei meu terceiro livro de poesia, “Oferta”, que tem uma excelente quarta capa escrita pela grande contista amazonense Maria Joana Rodrigues Colin.  Além de poeta, sou crítica literária e já escrevi algumas resenhas sobre vários autores nacionais, como, por exemplo, a escritora Astrid Cabral, que foram publicadas em importantes meios de comunicação. Por fim, neste ano de 2016, estou com meu quarto livro de poesias, “Dormindo no verbo”.  Neste novo livro, meus amigos poetas me disseram que me superei, tendo uma poesia mais amadurecida após longos anos de dedicação à escrita. As orelhas deste novo livro foram escritas pela autora Raquel Naveira. Com muita intensidade, ela observou a “potência das labaredas” nos meus versos, como ela mesma mencionou. O prefácio foi construído pelo poeta e professor universitário Igor Fagundes, que fez uma trajetória poético-crítica fascinante em torno de meu livro, observando a etimologia, a filosofia, as referências ao mundo grego e à Bíblia.  Quero produzir cada vez mais e minha próxima ambição literária é produzir um livro de contos e estou estudando para isto.
OERJ – O que espera da nossa literatura?
Espero que a literatura seja cada vez mais reconhecida, tendo os mesmos espaços que outras áreas do saber mais legitimadas têm. Desejo que as pessoas apreciem mais os autores nacionais e que eles tenham cada vez mais reconhecimento internacional, com sua riqueza tão exuberante em significados. Temos autores excepcionais aqui no Brasil.
OERJ – “Dormindo no verbo” contém 67 poesias que defendem a importância da palavra em tudo que nos cerca, o que você espera atingir com esse livro?
Espero atingir um público cada vez maior, para que conheçam meu trabalho e que ocorram trocas frutíferas com diálogos e conversas aprazíveis sobre a poesia. A poesia não tendo a importância que a prosa literária tem e pode ganhar mais espaços com a divulgação dos próprios poetas. Quero que a poesia ganhe a legitimidade que ela representa. Atingindo um público maior, espero que os leitores leiam mais poesia, pois é pela palavra poética, que o escritor recria o mundo.
OERJ – Quantos livros você já tem publicados?
Livros individuais, cinco. Quatro de poesia (40 poemas, Painel, Oferta e Dormindo no verbo) e um de ensaio (Literatura, mito e identidade nacional).
OERJ – Quando você descobriu que tinha o dom de escrever?
Foi na infância. Com a leitura de livros na escola e incentivo de uma mãe que adora ler, pude expandir meu universo em torno da escrita. A infância tem toda esta imagem plena de significados e curiosidades a partir do imaginário infanto-juvenil. Por isto, foi bom ter começado nesta fase da minha vida, pois minha poesia prima pelo imaginário, com intensas imagens.
OERJ – Quais os escritores que te influenciaram?
Da poesia: Rimbaud, pelo seu transbordamento de imagens. Murilo Mendes, por sua religiosidade e ultrapassagem do real e Cecília Meireles, pelo seu viés transcendente. Da prosa: principalmente Clarice Lispector, pela sua subjetividade e intimismo.
OERJ – Que mensagem você daria para o jovem que hoje pensa em ser um poeta
Diria a ele para não desistir da escrita, logo na primeira dificuldade. A escrita é um trabalho de constante aprimoramento. Nenhum poeta nasce pronto. É preciso perseverar e se reconhecer em estado de abertura para que novas possibilidades aconteçam.
OERJ – Religião?
Espiritualista. Acredito em Deus acima de tudo.
OERJ – Se não fosse poetisa, seria?
Médica. Adoraria salvar vidas, algo grandioso.
OERJ – Uma dica para as pessoas que gostam de ler, mas por algum motivo não o fazem.
Ache na leitura uma ponte para se conhecer mais o mundo. A leitura produz grandes ensinamentos para os leitores. É uma forma de iluminação poética, de geração de sentidos. É a busca de um dos sentidos para a nossa existência.