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| Cena do filme Poltergest, o Fenomeno (1982) de Tobe Hooper. |
Entre uma dose e outra me deparo com uma pergunta que me
faço faz tempo. Qual a nossa finalidade na Terra? Para que viemos e para onde
iremos? Parece papo de bêbado, mas não é. Cientistas desde os primórdios fazem
a mesma pergunta. Filósofos já se deleitaram na questão. Será que só nos damos
conta depois do terceiro ou quarto copo?
É muito bom bater aquele papo sobre futebol, sobre a novela
das nove, é bem verdade que nos dias de hoje, poucas pessoas assistem às
novelas, mas isso é assunto para outra coluna, e aquele papo sobre política?
Bem, esse está suspenso até segunda ordem. Mas independente do papo que seja,
sempre foi importante a interação entre as pessoas. E isso foge às ideologias e
a fins.
Costumo lembrar da Neide, amiga de minha tia Vanda, que nos
anos de 1970 costumava fazer aquela visita que nós crianças adoramos. Ela vinha
com um conteúdo repleto de informações que para mim era crucial para o cérebro.
Ela costumava ir ao cinema assistir a vários estilos de filmes e quando vinha
para a visita nos contava detalhadamente. Ficávamos meu irmão e eu sentados
próximos a ela e minha tia só ouvindo cada detalhe.
Até hoje não assisto ao filme “O Exorcista” por conta da
interpretação da Neide arregalando os olhos e nos mostrando como a cabeça de
pequena jovem virava de um lado para o outro. E o tubarão? Por muito tempo
quando eu ia àa praia olhava em volta com medo que o terror dos oceanos viesse
me buscar. Belas lembranças. Desde cedo me envolvi com a leitura e a
interpretação das coisas. Poderia ter me tornado um Robert Langdon. Simbolismo
me fascina. A vida é um simbolismo pragmático.
Tudo que temos a fazer é entendê-lo ou personificá-lo.
Aceitar e entender o significado das coisas nunca foi um dom do ser humano e
não me causa novidade, pois fomos criados para o questionamento e a teimosia.
Sim, a teimosia. Quantos de nós até hoje acreditam que a terra é plana? Isso
sem contar aqueles que acreditam que descendemos dos macacos. Talvez de uma
vertente, sei lá, mas propriamente do macaco acho quase que impossível. E você,
o que acha?
Mas e a nossa verdadeira intenção aqui na Terra, qual será?
Deus nos criou e nos deu a possibilidade de experimentar a existência plena e
fiel. Mas com isso vem a grande responsabilidade de entender tudo e o que menos
sabemos é entender tudo. Várias simbologias nos foram e nos são mostradas
diariamente e ainda assim, não conseguimos entendê-las por completo. Será que
somos tão ignorantes e incapaz de assimilar. Talvez. Nunca saberemos.
Escrevo esse texto entre duas quedas de energia. Acho que hoje
o dia vai ser complicado. Quando começa assim, em algum lugar deve estar
acontecendo algo. É o efeito borboleta em ação. E enquanto não descobrimos, que
tal mais uma dose? É claro que eu estou a fim. Ainda lembrando das visitas da
Neide lá em casa e de sua sapiência em contar filmes, hoje percebo que ela
criou uma espécie de spoiler dos anos 70. Sim, pois depois que ela assistia ao
filme e nos contava, não dava mais vontade de ver o filme. Já havíamos nos
embebedados com tamanha desenvoltura em sua interpretação.
O barato foi relembrar ela no dia em que nos contou a
história de “Poltergeist”, achei que ela entraria dentro da TV quando estava
nos mostrando como Caroline foi transportada de nossa dimensão para uma outra
sobrenatural. Que horror!
